É tarde! É tarde! É tarde!

É interessante como o tempo é um caminho que podemos registrar e contar de várias formas distintas. Dá pra enxergar a transição dos dias, meses e anos de modos mais divertidos (ou não) do que simplesmente olhar para o relógio.

Há uma década quando os primeiros filmes da saga Harry Potter foram lançados, duas certezas aqueciam o coração de qualquer fã: 1) a coleção completa de livros teria 7 volumes e 2) todos teriam suas versões no cinema. Durante algum tempo passei a medir o passar dos anos pela evolução da série e me parecia assustador pensar que teria terminado o colégio e também a faculdade no final de tudo – o último livro foi lançado em 2007; o último filme, em 2011. Uma das previsões acabou não acontecendo, visto que este é meu primeiro ano na faculdade. Mas não deixou de ser assustador.

Nesse meio tempo mergulhei no mundo dos seriados e mais uma vez a velocidade com que os meses passavam era impressionante. As temporadas começam em torno de Setembro e vão até Maio – alguns fogem desse padrão sendo mais curtos e em outros períodos. O fato de sempre almejar um certo dia na semana faz o relógio correr acima do normal. De repente você percebe que segue esta rotina há várias temporadas, quer dizer, há vários anos. A intenção era só assistir umas histórias pra passar o tempo, mas não precisava passar tanto!

Pra contar períodos mais curtos (que por azar podem virar longos) ouvir música geralmente é bastante eficaz. A primeira impressão é a de que o tempo não está sendo desperdiçado e logo depois, a sensação de que está voando ao perceber que 10/12 músicas foram tocadas. Então talvez você esteja ali esperando por quase 1 hora. Outro método super útil pra períodos curtos: livros. Lendo em média 1 página por minuto fica fácil cronometrar sem usar um cronômetro ;)

Voltar a estudar me faz estar novamente numa fase acelerada porque meu ano está dividido em duas metades certinhas e além disso seguirá um cronograma definido. Junte a isso o fato de outra vez almejar um certo dia na semana (ou três) e eis a fórmula pra fazer a ampulheta girar descontroladamente!

Interessante também como todas essas formas de contar o tempo supostamente servem pra nos distrair e esquecer dele. Uma tarefa bastante árdua, mas que traz uma recompensa maravilhosa quando, vez ou outra, conseguimos desligar o despertador e enfim, sermos mais Alice e menos Coelho Branco.

Mixtape: Deixa o Verão

Já faz quase 2 meses que o verão acabou e naturalmente o inverno se aproxima pra congelar as manhãs, ressecar nossa pele e termos um novo assunto no elevador.

Prefiro temperaturas mais amenas como outono e primavera do que ficar pingando suor no sol ou sentir a ponta do meu nariz ficar como um cubo de gelo, mas sentirei saudade da sensação de veraneio deste ano…

Então eis aqui uma mixtape pelos bons tempos de praia, sol e puro ócio! A ideia veio depois de assistir este desfile da Salinas, que teve o poder de me levar de volta pras férias já no início da apresentação. Algumas músicas da trilha sonora serviram como base e aí o namorado foi quem deu todo o corpo da mixtape - eu só acrescentei uns detalhes no final :)

O título e a abertura fazem referência a música dos Los Hermanos, originalmente cantada pelo Rodrigo Amarante, mas que encontra seu lugar mais que perfeito na voz da Mariana Aydar ♥

Você pode ouvir através desse player bonitinho do 8tracks (recomendo o  ótimo aplicativo que te dá acesso a zilhões de mixtapes pra ouvir em qualquer lugar) ou fazer o download aqui.

  1. Mariana Aydar – Deixa o Verão
  2. Moreno Veloso – Arrivederci
  3. Trio Mocotó – Coqueiro Verde
  4. Sambasonics – Passa Por Minha Cabeça
  5. Novos Baianos – A Menina Dança
  6. Seu Jorge – Mariana
  7. Orquestra Imperial – Ela Rebola
  8. Roberta Sa – Ah, Se Eu Vou
  9. Farufyno – Parte Dela
  10. Caetano Veloso – A Cor Amarela
  11. Pedro Luís e a Parede – Menina Bonita
  12. Gal Costa – Você Não Entende Nada
  13. Clube do Balanço – Segura a Nega!
  14. Vanessa da Mata – Fugiu Com A Novela
  15. Sivuca – Ain’t No Sunshine
  16. Bexiga 70 – Grito de Paz
  17. Mallu Magalhães – Sambinha Bom
  18. Los Hermanos – Morena
  19. Mundo Livre SA – Melô das Musas
  20. Luiza Possi – Gandaia das Ondas

Não me responsabilizo pela vontade súbita de ficar a toa com os pés na areia!

Solidão compartilhada

Se domingo já é o dia internacional da preguiça, quando chegam os dias frios é praticamente impossível escapar do ócio. Não fazer nada é sempre bom – sozinho ou acompanhado – e foi isso que fui fazer ontem à noite: ficar jogada num abraço no sofá da Starbucks. Aliás, a loja da Augusta por enquanto é a melhor pra esta prática, já que não fica entupida de gente como todas as outras da região.

Entre um gole de chocolate e outro acabei reparando em cenas interessantes: duas duplas que ao invés de estarem fazendo nada juntas, estavam fazendo tudo separadas. Olhando pra frente via um casal que tomou seu café, tirou foto de um mini docinho e enquanto ele estava entretido no celular, ela lia um livro. À direita, dois amigos de uns 30 e poucos anos também apreciavam suas bebidas quentes e hipnotizados estavam pelos seus respectivos celulares.

Então qual o sentido de marcar um encontro? Se duas pessoas estão dispostas a sair de casa e ir até algum lugar pra aproveitarem a companhia um do outro, por que não fazem exatamente isto? Essa necessidade extrema da tecnologia me dá um desgosto imenso.

O casal que estava na nossa frente era na verdade uma incógnita – não dava pra saber se ela estava lendo um livro porque ele resolveu ficar com o celular ou se saíram de casa com estas intenções em mente; só queriam mudar de ambiente. Parece uma boa ideia até… Mas prefiro sair pra fazer coisas diferentes do que faço normalmente em casa.

Se bem que tomar chocolate quente e comer bolinho são de fato coisas que faço no aconchego do meu lar, mas sem poder observar o comportamento social alheio – um dos meus passatempos preferidos :)

Mas fiquei feliz quando a dupla de amigos partiu e o lugar deles foi ocupado por um casal de adolescentes que entre um gole e outro, trocavam beijos discretos e conversavam baixinho. Ainda existe amor em SP.

A vida chegou

Não acredito que já faz um mês que não apareço. Escrevi alguns posts mentalmente e podia jurar que estavam por aqui. E agora não me lembro mais deles…

As últimas semanas foram um pouco corridas. Começando talvez pela 1ª chamada da USP e logo em seguida o dia da matrícula com direito a chuva e muita tinta nas orelhas! Depois disso comecei a passar mais tempo no Facebook que o normal – adicionando pessoas novas, conversando com todas elas, sendo convidada para vários eventos (cof, cof) e fechando as janelinhas de notificação.

Consegui passar ilesa pelo trânsito do Carnaval e aproveitar um pouco o calor onde ele deve ser aproveitado: na praia. Caminhei infinitos metros pela beira do mar, encontrei tatuíras (que há muito tempo não via) e nem senti o tempo passar – até me perdi nele!

Agora de volta à vida urbana normal – começa pra valer na 2ª feira com o início das aulas – provavelmente o único jeito de me perder no tempo vai ser ouvindo Noctourniquet, o novo álbum do Mars Volta que está me consumindo desde ontem à noite. Pra ser mais perfeito só se eu pudesse projetar a capa no teto do meu quarto e aproveitar a viagem de 1 hora (eles são perfeccionistas ou o cosmos estava no estúdio pra dar uma mãozinha) bastante tranquila.

Também fui ao teatro, comecei a diminuir a pilha de livros que precisam ser lidos e Noel Gallagher confirmou shows no Brasil :) Parece que tudo caminha lindamente pela estrada de tijolos amarelos rumo ao fim que se aproxima!

Os Homens que Não Amavam as Mulheres

Não há dúvidas, ter uma expectativa concretizada é uma das melhores sensações do universo. Foi o que senti enquanto assistia Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres.

Minhas expectativas estavam nas alturas por várias razões: apesar de ainda não ter lido a trilogia de livros, a história escrita por Stieg Larsson é sensacional; os filmes suecos são bons e depois de assistí-los entendi perfeitamente por que David Fincher ficou tão interessado pelo roteiro; a trilha sonora original composta por Trent Reznor & Atticus Ross foi a primeira que ouvi antes de assistir o filme de tão ansiosa que eu estava. Bom, a versão espetacular de Immigrant Song (Karen O canta com a alma) já foi mais que um aperitivo pro restante da obra e ouví-la no último volume durante a abertura do filme foi hipnotizante.

Sair do cinema pensando em cada detalhe meticulosamente incluído por um dos diretores que mais admiro e admirá-lo ainda mais por conseguir expor suas visões um tanto quanto peculiares, foi muito bom. As quase 3h de filme ilustraram tudo que eu esperava e David pode ousar como nunca. Pessoas que não são familiares com seus trabalhos podem se sentir desconfortáveis, como os três homens que saíram da sala depois de 1h e pouco. Na verdade não sei o que isso diz sobre a minha própria personalidade, que fui querendo ver tudo que vi. Enfim.

Difícil saber quando David quis realmente dirigir Millenium, mas acho que este foi o momento perfeito para filmar sua versão. Primeiro porque a história é pesada e angustiante, logo censurar determinadas partes não faria o mínimo sentido e só um diretor como Fincher e sua filmografia, teria carta branca e enlouqueceria com a câmera na mão. Segundo, seus trabalhos mais recentes – A Rede Social (2010), O Curioso Caso de Benjamin Button (2008) – não são sua especialidade: thrillers com personagens carregados de problemas psicológicos. O último filme que carrega esta característica é Zodíaco, de 2007.

A Sony Pictures India não exibirá o filme no país porque não foi autorizada a cortar as cenas de sexo – eles queriam censurar até as consensuais!

Também é difícil escolher uma palavra para definir a atuação da atriz Rooney Mara. Brilhante deve ser a melhor. Toda caracterização da personagem é natural e em nenhum momento sentimos que aquilo não faz parte daquele corpo frágil. As tatuagens, os piercings, o jeito de andar e de olhar ao seu redor. E é interessante como Lisbeth e Mikael demoram pra se encontrar e quando isso acontece, parece que eles se conhecem há muito mais tempo.

A fotografia é recheada de cores neutras, muitas vezes o branco da neve intensa é predominante e Lisbeth, sempre de preto, se mistura no meio apesar de sua aparência singular. Um dos momentos que mais gosto quando penso na fotografia do filme são os olhos azuis de Daniel Craig, que com frequência tornam-se a única fonte de cor numa cena. Ironicamente os lugares que parecem mais aconchegantes e seguros, são os mais frios.

O suspense, o mistério a ser desvendado pela dupla de investigadores ocasionais (ele é jornalista, ela sabe obter informações) te consome desde o início e quando finalmente é desvendado você precisa cuidar pra não piscar ou vai perder. Lembra bastante o roteiro rápido que jamais perde o ritmo de A Rede Social.

Acho que todos os filmes dele tem uma frase, aquela frase que gruda no cérebro por dias – ou pra sempre. Em Os Homens que Não Amavam as Mulheres, por todo parágrafo que ela faz parte e por ser uma ótima reflexão, esta é minha escolhida:

The fear of offending is stronger than the fear of pain.